IGREJA ABACIAL

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A Igreja Abacial é uma das mais belas igrejas do Rio de Janeiro – se não a mais bela – e um dos principais monumentos do barroco luso-brasileiro. A construção da igreja começou em 1633, as obras durando mais de cem anos, pois terminaram em 1798, ocorrendo posteriormente algumas pequenas alterações. A fachada da igreja é muito simples, contrastando com a riqueza do interior. O trabalho da talha foi realizado entre 1664 e 1734.

A igreja e o prédio do mosteiro são obras de quatro monges do século XVII: Frei Leandro de São Bento e Frei Bernardo de São Bento Corrêa de Souza, arquitetos, Frei Domingos da Conceição da Silva, escultor e Frei Ricardo de Pilar, pintor. Merece ainda ser mencionado o Mestre Inácio erreira Pinto, grande entalhador e escultor da capela mor na segunda metade do século XVIII. A Igreja Abacial compreende especialmente uma ave central, na frente da qual está a capela-mor, integrada pelo altar-mor, o coro (local onde ficam os monges nos seus momentos de oração) o trono em que, no último degrau, está a imagem da padroeira do Mosteiro, Nossa Senhora de Monserrate. À esquerda de quem olha para o ltarmor situa-se a Capela do Santíssimo Sacramento e, em sequência, os altares de São Mauro, Nossa Senhora do Pilar e São Caetano. À direita estão os altares de Nossa Senhora da Conceição, São Lourenço, Santa Gertrudes, São Brás. Junto à porta da entrada estão as “capelas falsas” a Beata Ida de Louvain (à esquerda) e de Santa Francisca Romana (à direita).

Merecem ser observados na igreja muitos detalhes: o tapa-vento encimado pelo brasão da Congregação Beneditina de Portugal e também da congregação Beneditina do Brasil, sua herdeira; os dois grandes lampadários de prata, que ladeiam o altar central, e concluídos em 1795; o orgão da coroa (1773), no centro do coro superior; toda a belíssima talha do corpo da igreja, vendo-se aqui e ali muitos anjinhos e também pássaros; os dois grandes anjos tocheiros na entrada da capela-mor; as doze imagens na nave central, representando quatro Papas, quatro bispos e quatro Reis, santos da Ordem Beneditina. O batistério no atual local, no fundo da igreja, é recente (1977), sendo a pia batismal de pedra sabão do século XVIII, vinda de Minas Gerais. No seu interior está um S. Cristóvão do século XVIII. Enfim, na capela mor observa-se o belo piso de mármore e os 14 quadros de Frei Ricardo do Pilar (óleo sobre madeira) representando especialmente aparições de Nossa Senhora a santos beneditinos. Ao fundo, ladeando Nossa Senhora da Monserrate, estão as imagens de São Bento e de sua irmã Santa escolástica. A sacristia, dentro da clausura (portanto não aberta à visitação), foi construída entre 1670 e 1673 e nela está localizado o altar do Senhor dos Martírios, encimado pela pintura mais importante da época (1690) no Brasil, de Frei Ricardo do Pilar.

Merecem uma referência os três portões de ferro fundido, vindos das Inglaterra (1880), e os doze sinos da igreja, restaurados em 2007, sendo que seis vieram da Alemanha em 1953: “Cristo Rei” é o maior, pesando 5.750 quilos, na torre da esquerda, os outros sendo consagrados a Nossa Senhora, Santos Anjos, São José, São Pedro e São Paulo e São Bento e seis pequenos, do século XVII (com martelo), tocando para o “Ângelus”.