IGREJA ABACIAL

A Igreja Abacial é uma das mais belas igrejas do Rio de Janeiro – se não a mais bela – e um dos principais monumentos do barroco luso-brasileiro. A construção da igreja começou em 1633 e durou mais de cem anos, tendo as obras sido concluídas em 1798 – pequenas alterações ocorreram posteriormente. A fachada da igreja é muito simples, contrastando com a riqueza do interior. O trabalho da talha de madeira dourada foi realizado entre 1694 e 1734.

A igreja e o prédio do mosteiro são obras de quatro monges do século XVII: Frei Leandro de São Bento e Frei Bernardo de São Bento Corrêa de Souza, arquitetos, Frei Domingos da Conceição da Silva, escultor e Frei Ricardo do Pilar, pintor. Merece ainda ser mencionado o Mestre Inácio Ferreira Pinto, grande entalhador e escultor da capela-mor na segunda metade do século XVIII. A Igreja Abacial compreende especialmente uma nave central, na frente da qual está a capela-mor, integrada pelo altar-mor, o coro (local onde ficam os monges nos seus momentos de oração) e o trono onde, no último degrau, está a imagem da padroeira do Mosteiro, Nossa Senhora de Monserrate.

“O mais belo monumento colonial que o Brasil possui!”
Dom Henrique Golland Trindade, OFM
1897-1974
Bispo de Bonfim, depois Arcebispo de Botucatu.

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À esquerda de quem olha para o altar-mor situa-se a Capela do Santíssimo Sacramento e, em sequência, os altares de São Mauro, Nossa Senhora do Pilar e São Caetano. À direita estão os altares de Nossa Senhora da Conceição, São Lourenço, Santa Gertrudes e São Brás. Junto à porta da entrada estão as “capelas falsas” a Beata Ida de Louvain (à esquerda de quem sai) e de Santa Francisca Romana (no lado oposto).

Merecem ser observados na igreja muitos detalhes: o tapa-vento encimado pelo brasão da Congregação Beneditina de Portugal e também da Congregação Beneditina do Brasil, sua herdeira; os dois grandes lampadários de prata, que ladeiam o altar central, concluídos em 1795; o órgão da coroa (1773), no centro do coro superior; toda a belíssima talha do corpo da igreja, vendo-se aqui e ali muitos anjos e pássaros; os dois grandes anjos tocheiros na entrada da capela-mor; as doze imagens na nave central, representando quatro Papas, quatro bispos e quatro Reis, santos da Ordem Beneditina. O batistério no atual local, no fundo da igreja, é de 1977, sendo a pia batismal de pedra sabão do século XVIII, vinda de Minas Gerais. No seu interior está uma imagem de São Cristóvão do século XVIII. Enfim, na capela-mor observa-se o belo piso de mármore e os 14 quadros de Frei Ricardo do Pilar (óleo sobre madeira) representando especialmente aparições de Nossa Senhora a santos beneditinos. Ao fundo, ladeando Nossa Senhora da Monserrate, estão as imagens de São Bento e de sua irmã Santa Escolástica. A sacristia (dentro da clausura e fechada à visitação), foi construída entre 1670 e 1673 e nela está localizado o altar do Senhor dos Martírios, encimado pela pintura mais importante da época (1690) no Brasil, de Frei Ricardo do Pilar.

Merecem destaque os três portões de ferro fundido, vindos da Inglaterra em 1880 e contendo referências aos santos representados no interior da igreja; e os doze sinos das torres, restaurados em 2007, sendo que seis vieram da Alemanha em 1953: o “Cristo Rei” é o maior, pesando 5.750 quilos, localizado na torre da esquerda (de quem está de frente para a fachada), os demais são consagrados a Nossa Senhora, aos Santos Anjos, a São José, a São Pedro e São Paulo e a São Bento. Há ainda seis sinos pequenos, do século XVII (acionados com martelo), tocados para o Angelus.