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CANTO GREGORIANO

A música sacra, como parte integrante da Liturgia Solene, participa do seu fim geral que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis (...). Por isso a música sacra deve possuir, em grau eminente, as qualidades próprias da liturgia, e nomeadamente a santidade e a delicadeza das formas, donde resulta naturalmente outra característica, a universalidade.

Como pode uma música "possuir a santidade"? A palavra "santidade" vem do latim: "SANCIRE", "consagrar a Deus". Neste sentido, uma música Santa possuirá as qualidades duma coisa consagrada a Deus, reservada a Deus (Como uma Igreja, um cálice, etc...); mais ainda, uma música santa conduzirá até Deus, será como um intermediário entre Deus e aqueles que a executam ou a ouvem; como as palavras inspiradas dum santo pregador, ela produzirá nas almas o desejo de se converterem, e de conhecerem e amarem mais a Deus.

Pelo seu ritmo livre, a recusa do efeito técnico, e a importância capital dada ao texto sagrado com que a melodia se harmoniza perfeitamente, "o canto gregoriano possui uma serenidade, uma suavidade, uma simplicidade, uma liberdade, uma firmeza, uma nobreza e uma plenitude incomparáveis".

Desta delicadeza das formas e da sua santidade nasce espontaneamente à universalidade que é da Santa Igreja; pois o canto gregoriano é "o canto próprio da igreja romana".

Uma alma que reza, afasta-se deste mundo, lança-se em direção às realidades eternas do céu para se repousar em Deus. Ora, tal é precisamente a razão de ser do ritmo livre da melodia gregoriana que acabamos de evocar; sob a inspiração da graça, a igreja dirige-se ao seu divino Esposo pelos sublimes “accents" de esperança, de adoração, de compaixão e de amor do seu canto sagrado, para repousar nele.

No canto gregoriano, estes movimentos de ascensão para Deus e de repouso místico n'ele têm um nome: são as "elevações iniciais" e os "repousos finais", as "arsis" e as "tesis" cujas sucessões livres constituem o fundamento do ritmo gregoriano; é o análogo do movimento da alma da igreja em direção a Deus.

Assim "a arte gregoriana é muito mais do que música, muito mais mesmo do que uma oração entre outras; porque é A oração da Igreja.