REGRA DE SÃO BENTO

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A Regra de São Bento que apresentamos em tradução, é um código de vida monástica que, composto há mais de 14 séculos, foi e continua a ser a alma dos mosteiros que presidiram o nascimento da cristandade medieval e que mantém no mundo moderno um exemplo resplandecente da vida de perfeição angélica que consiste em deixar tudo para seguir cristo, para procurar apenas a Deus. Essa vocação à perfeição é algo fundamentalmente PESSOAL; cada um é escolhido, é o escolhido para voltar a Deus pela obediência, pelo caminho vivido até a morte por Cristo. Essa mesma vocação, entretanto, só encontrará possibilidade de ser posta em realização dentro de um ambiente SOCIAL, dentro de um organismo comunitário cheio de equilíbrio, de justiça, portanto, de paz, onde circulará a seiva da caridade, que une os irmãos entre si, unindo- os a Deus. É esse quadro de vida comum, criando o clima propício ao exercício das virtudes cristãs com que um por um chegará à perfeição do amor, que S. Bento pretendeu organizar e dispor em sua REGRA. Que o conseguiu atesta abundantemente a história, di-lo-á com mais precisão e superabundância imprevisível o Livro da Vida.

Obra fundamental de S. Bento é a Regra que, constando de uma introdução ou prólogo e de 73 capítulos, sintetiza o itinerário espiritual de conversão a Deus por meio da obediência (à qual é dedicado o 5° capítulo), tendo Cristo como guia cujo amor deve estar acima de toda coisa (cf. os capítulos 4, 2, 72). É notável a insistência sobre a humildade, da qual provém a disponibilidade total em confirmar a própria vontade com a de Deus.

A comunidade cenobítica no ideal de S. Bento se fundamenta na autoridade do abade. Com efeito, os monges se submetem a ele, vinculados pelo voto de estabilidade no próprio convento. Na espiritualidade beneditina são essenciais: a celebração do ofício divino e a síntese equilibrada entre oração e trabalho, sobretudo o manual, e também o intelectual, centrado na leitura dos textos sagrados (cf. o capítulo 48). As fontes da Regra beneditina podem ser identificadas, antes de mais nada, na Escritura e, depois, em Pacômio, em Basílio, na Vitae Patrum, em Agostinho, Cassiano, etc. Permanece ainda aberta a questão muito discutida sobre a relação entre a Regula beneditina e a Regula Magistri, a qual, segundo a opinião tradicional, lhe seria posterior,ao passo que vários estudiosos a consideram, ao contrário, anterior a primeira. O mérito principal da Regra de S. Bento parece consistir, sobretudo, no fato de ter realizado uma síntese completa das experiências monásticas precedentes, manifestando grande sabedoria, moderação e equilíbrio na organização da vida cenobítica.